Quem me representa?

*Deusdete Santos

A crise de representatividade política no país parece não estar perto de amainar. A cada dia, às ruas vão pessoas que não se sentem representadas pelo deputado, pelo senador, pelo presidente. Até mesmo nas eleições municipais, foi possível ver a crescente de “novos” políticos, em detrimentos aos profissionais do voto. Mas por quê? Parece que os interesses de quem representa não são mais os mesmos de quem é representado. Essa crise de autoridade política é reflexo dos novos tempos, já alertados por Habermas e outros acadêmicos, em que vimos o crescimento dos meios de comunicação, que dão publicidade à informação e se transformam em verdadeiros mecanismos de fiscalização social.

Ai dos representantes! Há tempos, no Rio de Janeiro, uma greve foi convocada à revelia da diretoria do sindicato dos garis. Estudantes conseguiram adiar a prova do Enem em alguns lugares, porque ocuparam os prédios de escolas em protesto contra as decisões dos governantes. O que parece estar claro é que a vida pública não pode mais se feita às escuras, por isso não me representa aquele que engana, que mente e dissimula.

Não representam nem a si mesmo aqueles que vivem bitolados às amarras do egoísmo. Calçam sandálias pesadas e sujas com a lama da falta de temperança e de “se mancol” – remédio escasso nas hostes classistas e bancas parlamentares.

“Brexit” é um termo que significa a fusão das palavras “britânica” e “saída” em inglês, nome da campanha política que culminou na decisão histórica do rompimento do Reino Unido com a União Europeia. Precisamos também de uma saída, brasileira, sem jeitinho ou letrinha no rodapé do contrato. A maior manifestação capaz de contribuir para esse processo de mudança política e cultural é mesmo participar, fazer parte e prestar atenção em quem diz nos representar.

O autor é pedagogo, especialista em gerência e administração e servidor público.