Moro nega incompetência e mantém julgamento de Claudia Cruz no Paraná

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em primeira instância da Operação Lava Jato, negou o pedido da defesa de Claudia Cruz, esposa do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB) de transferir o julgamento do processo para a Justiça do Rio de Janeiro.

Com a decisão, divulgada no sistema da Justiça Federal na noite de terça-feira (8), o processo contra Claudia Cruz continua sob responsabilidade de Moro, na 14ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba.

“Apesar dos locais dos crimes, a competência é deste Juízo, em decorrência da conexão e continência com os demais casos da Operação Lava Jato e da prevenção, já que a primeira operação de lavagem, como adiantado, consumou-se em Londrina/PR e foi primeiramente distribuída a este Juízo, tornando-o prevento para as subsequentes”, argumenta o juiz;

De acordo com o despacho, o Ministério Público Federal foi ouvido e se manifestou contra a transferência do julgamento.

A esposa do ex-deputado Eduardo Cunha é investigada por corrupção e lavagem de dinheiro.

A denúncia envolve um contrato em que a Petrobrás comprou direitos de participação na exploração de um campo de petróleo na África. O negócio, segundo os procuradores, envolveu o pagamento de propinas ao ex-deputado federal Eduardo Cunha, de cerca de 1,5 milhão de dólares. O valor do contrato era de US$ 34,5 milhões. A denúncia é vinculada com ação penal, remetida pelo STF ao Paraná, a que Eduardo Cunha responde por não ter declarado contas no exterior.

No processo paralelo, Claudia Cruz é citada como beneficiária das contas atribuídas ao ex-deputado na Suíça. Os investigadores afirmam que a jornalista também recebeu no exterior dinheiro de outras contas controladas pelo ex-deputado. Eduardo Cunha só declarou as contas no exterior e os gastos com cartões de crédito depois que foram revelados na Lava Jato. Os procuradores afirmam que Cláudia Cruz tinha plena consciência dos crimes que praticava, e era a única controladora da conta na Suíça, utilizada para pagar as despesas no cartão de crédito. Em sete anos, os gastos ultrapassaram US$ 500 mil.

Fonte: Andreza Rossini – Portal Paraná