Descaso em Rondônia: Denarc tem apenas 35 pessoas para combater tráfico em todos os 52 municípios

A radiografia do caos no sistema de Segurança Pública de Rondônia, que vem sendo feita por uma comissão traz graves revelações até o momento. Para se ter uma ideia do descaso por parte do governo do Estado, o Departamento de Combate a Narcótico de Polícia Civil de Rondônia (Denarc) é o único do país que não tem cão farejador, não tem viaturas do Estado – somente locadas através de convênios nacionais-, e o pior: possui apenas 35 servidores, três delegados, cinco escrivães, 26 agentes – que vão a campo nas operações -, e um datiloscopista – especialista em realizar a identificação de pessoas através do reconhecimento de impressões digitais.

A denúncia foi feita pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia de Rondônia (Sinsepol), Rodrigo Marinho, pela Vice Presidente Lindalva Miranda, pelo diretor-financeiro, José Ribeiro, e pelo diretor-social, Adão James, que integram a comissão que percorre todas as unidades de segurança em Rondônia. Além do número pequeno de servidores, que não atinge um por cidades, já que o Estado tem 52 municípios, o Denarc está sucateado, como todas as unidades de Segurança Pública em Rondônia.

De acordo com a comissão, o departamento funciona em um prédio construído há mais de 40 anos. Sem estrutura, sem limpeza, banheiros condenados, sem qualquer higiene, poste de luz escorado para não cair, foco de criadouros do mosquito transmissor da dengue, e sem pessoal para fazer a limpeza no local. Para ter o mínimo de higiene, os servidores pagam diarista.

Apesar da imensa quantidade de droga apreendida em operações do Denarc, o departamento possui apenas uma balança ultrapassada, e com capacidade para 25 quilos. Os agentes têm dois caminhos: usam balança de outros órgãos – como a Polícia Federal (PF) – ou pesam por etapas de 25 quilos, até chegar ao total geral apreendido.

Exemplo para o País

De acordo com o presidente do Sinsepol, Rodrigo Marinho, o Denarc de Rondônia, com todas as dificuldades enfrentadas – causadas pela falta de compromisso do governo com a Segurança Pública -, é um exemplo para o Brasil em dedicação e número de apreensões de drogas.

Dados do setor de estatísticas do departamento apontam, através de relatórios, que em 2014 foram apreendidos 943 quilos de entorpecentes, entre maconha e cocaína. Com a mesma equipe, este número saltou para 1.364 quilos de drogas, em 2015, um crescimento superior a 40% em relação ao ano anterior.

Além das drogas relacionadas durante o ano de 2014 e 2015, os policiais do Denarc realizaram a prisão de 134 pessoas, além da apreensão de 42 veículos, 10 armas de fogo, e a quantia de R$ 49.236,50.

Os policiais do Denarc prenderam de 84 suspeitos somente na capital, além de 23 pessoas em outros municípios. Há também uma ação forte em apreensão de armas: foram apreendidas munições, espingardas, revólveres e pistolas, sendo retiradas de circulação 15 armas de fogo e 160 munições. E durante o mesmo ano, houve a apreensão de R$ 49.860,00 em espécie.

Segundo José Ribeiro, a avaliação é altamente positiva. “São números expressivos, que poderiam ser multiplicados por até dez vezes, se o governo oferecesse melhores condições de trabalho para os policiais”, afirma.

Adão James, que atua na comissão, afirma que de janeiro a julho deste ano foram apreendidos aproximadamente 900 quilos de drogas, entre maconha e cocaína, além de vários veículos usados pelo tráfico, e uma quantia significativa em dinheiro.

Fonte: Assessoria de Imprensa Sinsepol.

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